O futuro dos cafés especiais

Por Jorge Kasai

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O mercado de cafés finos e ou grãos selecionados, conhecidos como cafés gourmet, veio para ficar.
A perspectiva de crescimento deste segmento para a próxima década é de cada vez mais termos novos adeptos à essa especiaria.
Fato que cresce em função do convencimento da qualidade do sabor e das características da bebida. Atualmente, a demanda cresce de 5 a 6 vezes mais em relação aos cafés tradicionais. Concomitantemente aumenta a procura  de investidores internos e externos.

Falar de café gourmet, cafés finos e/ou grãos selecionados, escapa um pouco da linguagem dos cafés tradicionais, uma vez que:

  • Os cafés tradicionais competem no mercado globalizado, visando maior rendimento x menor custo.
  • O mercado de café GOURMET é específico, direcionado aos apreciadores e degustadores no mercado interno e externo que buscam produto de qualidade em detrimento do menor preço.

As características desses grãos são resultantes dos cuidados que vão  desde a escolha da semente até o processo pós-colheita.
O Brasil,  além de ser o maior produtor e exportador mundial de café, está se tornando o maior consumidor, ocupando neste último caso, a posição que foi até então dos Estados Unidos.

O Brasil detém aproximadamente 40% do plantio mundial de café. Somos o celeiro do mundo, com vocação para o agro-negócio. Mesmo assim, o mercado interno brasileiro não consegue oferecer um produto de qualidade, salvo raras exceções.
Mesmo com a crise atual do café no Brasil, não temos tido os problemas graves que enfrentam alguns países da América Central e Colômbia, com os estragos causados pelo surto de ferrugem nos cafezais.
O Brasil detêm diversidade de topografia, situação climática favorável, altitude, enfim, todos os quesitos desejáveis para cultivo cafeeiro, com diferentes características regionais, que se constituem privilégios de poucos países produtores de café.
É público e notório o desânimo do cafeicultor brasileiro, em especial do?pequeno produtor, que vive da renda do cafezal. Na situação atual, os rendimentos  atuais não cobrem sequer o custo de produção.

Se o café está em crise, porque os investidores estão de olho na cafeicultura brasileira? Não é difícil deduzir. Lembremos da frase: a crise é uma oportunidade de negócios! É bem isso que está acontecendo. Sabem por que?  Porque o café é a segunda bebida mais consumida no Mundo! E por incrível que pareça, o número de plantio não vem crescendo na mesma proporção.
A crise do café não afetará o comércio de cafés finos e/ou Grãos Selecionados (GOURMET).  Pelo contrário, a tendência é de crescimento constante, na medida que crescem o número de degustadores/apreciadores.
Com relação ao preço do café, não tenho dúvidas que a médio prazo, voltará a ter o seu valor reconhecido. Quando se tratar de café gourmet, estes terão sempre, o valor agregado.
No Brasil, dentre os tomadores de café, 90% tomam ainda o café moído e, dentre os 10% restante que tomam o espresso, são poucos os que conhecem o café gourmet – cafés finos/grãos selecionados. Esse segmento dos cafés de qualidade vem sendo a menina dos olhos dos investidores.
Os principais mercados consumidores além do Brasil são: Europa, EUA e Japão que, juntos consomem aproximadamente 70% da produção Mundial.
Mas no Brasil,  Japão, Europa e EUA, o que mais se consome é o café coado. Nesta estatística não estamos considerando a China, que mal começou a consumir o café.
Devemos dirigir a nossa atenção também para melhoria do café torrado e moído. As pesquisas atuais indicam que, os apreciadores não se importam de pagar um pouco mais para obter café de qualidade superior.
No mercado atual de cafeterias, usa-se cada vez menos os cafés tradicionais. A Maioria já vem servindo cafés mais finos e/ou Gourmet, uma vez que o (CMV-Custo Mercadoria Vendida) oscila de  4% a 9% sobre o valor final.
É arriscado implantar lavouras de cafés tradicionais, visando sua comercialização como comodities, pois isto gera o risco eminente como a que estamos vivendo. Muitos cafeicultores estão migrando para cultivo de cerais e/ou  diversificando suas culturas pela questão do risco do custo de produção do café.

Alguns cafeicultores vem agregando valor ao seu produto, classificando/selecionando os grãos e torrando para comercialização.
O que julgamos mais coerente é a operação verticalizada, onde se tem o controle completo do processo produtivo:  ter o germinador, o viveiro, o plantio, a colheita, a classificação/seleção, a torra e o centro de distribuição.
Produzir cafés tradicionais para venda no mercado exige uma  preparação para o enfrentamento de uma concorrência acirrada e desleal. É necessário que se estimule as vendas através de metas, com preços compatíveis, marketing ousado e política de desconto.

Produzir cafés finos é diferente pois se oferece para serem degustados,? não induzindo a venda. O produto fala por si mesmo, e sendo do gosto do apreciador, ele vai adquirí-lo em função do sabor e não do valor.

 

Matéria publicada na Revista Cafeicultura de 14/01/2014 

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